Blog

Tecnologias para avaliação de árvores: como o tomógrafo e o resistógrafo auxiliam no diagnóstico arbóreo

avaliação de árvores,resistógrafo,diagnóstico arbóreo

Descubra como métodos não destrutivos permitem identificar cavidades, podridões e outros defeitos internos sem comprometer a integridade da árvore, tornando a tomada de decisão mais segura em áreas urbanas, florestais e de pesquisa.

As árvores desempenham um papel fundamental na qualidade de vida das cidades, na conservação ambiental e na produção de madeira em florestas plantadas. Além de proporcionarem sombra, conforto térmico, abrigo para a fauna e benefícios paisagísticos, elas também representam um patrimôio ambiental que deve ser preservado sempre que possível. 

Garantir a segurança e a longevidade dessas árvores, no entanto, exige mais do que uma avaliação visual da sua aparência externa. É comum que árvores aparentemente saudáveis apresentem deteriorações internas, como cavidades, podridões, rachaduras ou outras alterações estruturais que não podem ser identificadas apenas pela inspeção visual. Esses defeitos podem comprometer a estabilidade do tronco e aumentar o risco de quedas, especialmente em locais com grande circulação de pessoas, como ruas, parques, praças, escolas e campi universitários. Em florestas comerciais, essas alterações também podem impactar a qualidade da madeira e influenciar decisões relacionadas ao manejo e pesquisa. 

Portanto, os métodos de avaliação não destrutiva têm se consolidado como ferramentas essenciais para o diagnóstico da sanidade e da condição estrutural das árvores. Essas tecnologias permitem investigar o interior do tronco sem causar danos significativos ao indivíduo avaliado, fornecendo informações confiáveis para embasar decisões técnicas, reduzir riscos e preservar árvores que ainda apresentam condições seguras. 

Entre as principais soluções disponíveis destacam-se o tomógrafo para árvores e o resistógrafo, desenvolvidos pela Rinntech, empresa alemã de equipamentos para avaliação não destrutiva de árvores e madeira.


Métodos tradicionais x tecnologias não destrutivas 

A avaliação da condição de uma árvore normalmente começa com uma inspeção visual, que consiste na observação de características externas como o estado da copa, folhas, galhos, tronco, raízes aparentes, inclinação, presença de cavidades visíveis, fissuras, fungos, danos mecânicos e outros indícios que possam comprometer sua estabilidade. Em muitos casos, essa etapa faz parte de inventários arbóreos e fornece informações importantes para o manejo e o monitoramento da arborização. 

Apesar de sua importância, a inspeção visual possui limitações. Alterações internas, como podridões, cavidades e perdas de resistência da madeira, podem permanecer ocultas por muitos anos sem apresentar sinais evidentes na superfície do tronco. Decisões baseadas apenas na aparência externa podem levar tanto à remoção desnecessária de árvores saudáveis quanto à manutenção de indivíduos que representam risco real. 

Para reduzir essas incertezas, podem ser utilizados os ensaios não destrutivos, técnicas que permitem avaliar a estrutura interna da árvore sem causar danos significativos ou comprometer sua capacidade de continuar se desenvolvendo. Esses métodos fornecem informações quantitativas e objetivas sobre a condição da madeira, auxiliando na elaboração de diagnósticos mais precisos e fundamentados. 

Entre as principais tecnologias utilizadas para esse tipo de avaliação estão a tomografia de impulso, que gera uma imagem da seção transversal do tronco a partir da propagação de ondas mecânicas, e o resistógrafo, que registra a resistência da madeira durante a penetração de uma agulha. Embora utilizem princípios de funcionamento diferentes, ambas as técnicas podem ser complementares e contribuem para uma avaliação mais completa da sanidade e da estabilidade das árvores. 

Ao combinar a experiência do profissional responsável pela inspeção visual com os dados obtidos por equipamentos de avaliação não destrutiva, é possível aumentar a confiabilidade dos diagnósticos, reduzir subjetividades e embasar decisões de manejo com maior segurança técnica.


O que é a tomografia de árvores e como ela funciona? 

A tomografia de árvores é uma técnica de avaliação não destrutiva que permite investigar a condição interna do tronco sem a necessidade de cortes ou retirada de amostras de madeira. Seu principal objetivo é identificar alterações estruturais que não podem ser observadas externamente, como cavidades, podridões, fissuras e regiões com perda de resistência mecânica. 

O método é baseado na propagação de ondas mecânicas pela madeira. Durante a inspeção, sensores são distribuídos ao redor do tronco da árvore e, em seguida, pequenos impactos são aplicados com um martelo em cada sensor. Cada impacto gera uma onda que se propaga pelo interior do tronco e é captada pelos demais sensores, permitindo ao equipamento registrar, com alta precisão, o tempo que o sinal leva para percorrer cada trajetória entre eles.

Esse tempo de propagação funciona como um indicador indireto da condição da madeira, assim como o som se propaga mais rápido em meios densos e contínuos, as ondas mecânicas se deslocam mais rapidamente em regiões de madeira íntegra e saudável. Já em áreas comprometidas, a velocidade de propagação diminui, porque o sinal encontra menor densidade ou precisa contornar espaços vazios.

Com base nas medições realizadas entre os diferentes sensores, o software do equipamento calcula as velocidades de propagação e reconstrói uma imagem tomográfica da seção transversal do tronco. O resultado é um mapa colorido que representa as diferentes condições internas da madeira. A partir dessa imagem, é possível:

  • Identificar cavidades internas que não apresentam sinais externos;
  • Detectar regiões com podridão ou degradação da madeira;
  • Localizar áreas com redução da resistência estrutural;
  • Avaliar a espessura da parede residual em árvores com cavidades;
  • Apoiar decisões sobre monitoramento, tratamentos, podas ou remoção da árvore.


Por fornecer uma visão completa da seção transversal do tronco, a tomografia oferece um nível de informação superior ao obtido apenas por inspeções visuais, reduzindo incertezas e aumentando a confiabilidade dos diagnósticos.


Tomógrafo para árvores Arbotom 

Entre as principais soluções disponíveis para esse tipo de avaliação está o tomógrafo Arbotom, desenvolvido pela Rinntech. O equipamento utiliza sensores de impulso e um software dedicado para transformar as medições em imagens tomográficas de fácil interpretação, permitindo localizar com precisão defeitos internos e avaliar a condição estrutural da árvore diretamente em campo.


O número de sensores varia de acordo com o diâmetro do tronco avaliado, configurações a partir de 8 sensores já permitem gerar imagens bidimensionais de árvores menores, enquanto configurações com até 24 sensores possibilitam imagens bidimensionais ou tridimensionais em árvores de maior porte. Na prática, todo o processo (instalação dos sensores, aplicação dos impactos e geração da imagem) costuma ser concluído em cerca de 15 a 30 minutos, diretamente no local de inspeção. 

Entre seus principais diferenciais, destacam-se:

  • Método praticamente não destrutivo, já que os sensores penetram apenas alguns milímetros na madeira;  
  • Localização precisa de cavidades, podridões e outras descontinuidades internas;
  • Geração de imagens tomográficas em duas dimensões, com possibilidade de expansão para análises tridimensionais;
  • Avaliação rápida diretamente no local de inspeção;
  • Operação simples por meio de notebook, com comunicação via USB ou conexão sem fio;
  • Diferentes configurações de sensores, adaptando-se a árvores de variados diâmetros. 

Essas características tornam o tomógrafo Arbotom uma ferramenta valiosa para profissionais que buscam diagnósticos mais completos e confiáveis.


O que é o resistógrafo e como ele funciona? 

Enquanto a tomografia de impulso fornece uma visão ampla da condição interna da árvore, o resistógrafo realiza uma investigação pontual da madeira, medindo sua resistência durante a penetração de uma agulha de pequeno diâmetro. Essa técnica permite identificar alterações estruturais internas ao longo de uma linha específica do tronco, podendo ser utilizada de forma independente ou para complementar inspeções visuais ou avaliações tomográficas. 

O princípio de funcionamento do equipamento é relativamente simples, uma agulha metálica é inserida na madeira a uma velocidade controlada eletronicamente, e o equipamento registra continuamente, ao longo de todo o percurso, a resistência encontrada pela agulha durante a perfuração. 

Em regiões onde a madeira apresenta boa integridade estrutural, a resistência à penetração é maior e permanece relativamente constante. Já quando a agulha atravessa cavidades, fissuras, podridões ou áreas degradadas, ocorre uma redução significativa da resistência, indicando alterações na estrutura interna do lenho. 

Todas essas variações são registradas em um gráfico, conhecido como perfil de resistência, que permite ao usuário identificar a localização, a extensão e a intensidade das alterações encontradas. Dessa forma, o resistógrafo fornece informações quantitativas que auxiliam na interpretação da condição da madeira e na tomada de decisões sobre o manejo da árvore.

Entre as principais aplicações da técnica estão:

  • Detecção de cavidades internas;
  • Identificação de podridões e degradação biológica da madeira;
  • Localização de fissuras e descontinuidades estruturais;
  • Avaliação da densidade relativa da madeira ao longo do ponto inspecionado.


Resistógrafo (Resistograph) 

Desenvolvido pela Rinntech, o resistógrafo é uma das principais referências em medição de resistência à perfuração. Projetado para inspeções em árvores, estruturas de madeira e outros elementos lignificados, o equipamento combina alta precisão de medição, operação simplificada e recursos digitais que tornam o trabalho em campo mais eficiente.

Entre seus principais diferenciais, destacam-se:

  • Controle eletrônico automático da velocidade de avanço da agulha, adaptando a perfuração às características da madeira;
  • Profundidade de perfuração de até 50 cm;
  • Armazenamento de milhares de perfis de medição na memória interna;
  • Visualização e transferência dos dados para computador, permitindo análises detalhadas por meio do software DECOM;
  • Impressão dos perfis de resistência durante a inspeção, facilitando a interpretação imediata dos resultados;
  • Equipamento portátil e leve.

Por fornecer informações detalhadas sobre um ponto específico da árvore, o resistógrafo pode ser utilizado em conjunto com a tomografia de impulso, permitindo confirmar diagnósticos, investigar regiões de interesse e aumentar a confiabilidade das avaliações estruturais.


Tomógrafo ou resistógrafo: quando utilizar cada um? 

Embora ambos sejam utilizados na avaliação não destrutiva de árvores, o tomógrafo e o resistógrafo baseiam-se em princípios de funcionamento diferentes e fornecem informações distintas sobre a condição da madeira. Por isso, são ferramentas complementares que podem ser utilizadas em conjunto para aumentar a confiabilidade do diagnóstico. 

De forma geral, a tomografia de impulso oferece uma visão geral da seção transversal do tronco, permitindo identificar a localização e a extensão de regiões comprometidas. Já o resistógrafo realiza uma avaliação pontual, medindo a resistência da madeira ao longo de uma linha de perfuração e fornecendo informações detalhadas sobre a estrutura interna naquele trajeto. 

A escolha entre uma técnica e outra dependerá dos objetivos da inspeção e do tipo de informação desejada.


Aplicações da tomografia e do resistógrafo em diferentes segmentos 

A avaliação não destrutiva de árvores tem se tornado uma ferramenta indispensável em diferentes áreas de atuação, desde a gestão da arborização urbana até pesquisas avançadas sobre a qualidade da madeira. Ao fornecer informações confiáveis sobre a condição estrutural das árvores sem comprometer sua integridade, o tomógrafo e o resistógrafo auxiliam profissionais na tomada de decisões mais seguras, técnicas e sustentáveis.

·       Prefeituras e órgãos públicos: A gestão da arborização urbana exige um equilíbrio entre a preservação do patrimônio arbóreo e a segurança da população. Em parques, praças, ruas, escolas e demais áreas públicas, a avaliação da condição estrutural das árvores é fundamental para identificar indivíduos que necessitam de monitoramento, manejo ou intervenção. 

O uso do tomógrafo e do resistógrafo permite embasar tecnicamente decisões sobre podas, tratamentos, instalação de sistemas de sustentação ou, quando realmente necessário, a remoção de árvores que apresentem risco estrutural.

 

·       Empresas prestadoras de serviço: Consultorias ambientais, empresas de manejo arbóreo e profissionais especializados em arboricultura utilizam essas tecnologias para complementar inspeções visuais e elaborar laudos técnicos mais completos. 

Os equipamentos auxiliam na identificação de defeitos internos, na emissão de pareceres técnicos, em perícias, avaliações de risco e inspeções periódicas, agregando maior confiabilidade aos diagnósticos apresentados aos clientes.

 

·       Indústrias de papel e celulose: No setor florestal, conhecer a qualidade interna da madeira é essencial para programas de pesquisa, melhoramento genético e manejo de florestas plantadas. 

A tomografia e o resistógrafo podem ser utilizados para avaliar árvores matrizes, investigar a ocorrência de defeitos internos, acompanhar experimentos e gerar informações que auxiliam na seleção de materiais com melhores características tecnológicas e estruturais.

 

·       Universidades e centros de pesquisa: Instituições de ensino e pesquisa utilizam métodos não destrutivos para estudar propriedades físicas, mecânicas e anatômicas da madeira, além de investigar processos de deterioração, biomecânica das árvores, fitopatologia, fisiologia vegetal e conservação do patrimônio arbóreo. 

Por fornecerem dados quantitativos e reprodutíveis, esses equipamentos tornam-se importantes aliados no desenvolvimento de pesquisas científicas.

 

Independentemente do segmento, o uso dessas tecnologias contribui para diagnósticos mais precisos, reduz a subjetividade das avaliações e fornece informações que apoiam decisões baseadas em evidências, promovendo maior segurança e preservação do patrimônio arbóreo.


Conheça a Rinntech 

A Rinntech é uma empresa alemã especializada no desenvolvimento de tecnologias para avaliação de árvores, madeira e estruturas de madeira. Com décadas de experiência na área, tornou-se uma das principais referências mundiais em equipamentos voltados ao diagnóstico arbóreo. 

A empresa foi responsável pelo desenvolvimento do primeiro resistógrafo, em 1986. Nas décadas seguintes, o portfólio foi ampliado com o desenvolvimento do tomógrafo Arbotom e de outras soluções complementares para análise de madeira, como softwares de processamento de dados. 

Órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa, consultorias ambientais e empresas do setor florestal utilizam esses equipamentos no Brasil e em diferentes países, aplicando-os a atividades como avaliação de risco arbóreo, manejo da arborização urbana, pesquisa científica e análise da qualidade da madeira. 

No Brasil, os equipamentos da Rinntech são oferecidos pela Tecnal, que também disponibiliza suporte técnico especializado. Quer saber qual solução é mais adequada para a sua aplicação? Entre em contato com a equipe da Tecnal e conheça mais dos equipamentos da Rinntech.


Referências

Bleive, Alise & Liepins, Janis & Liepins, Kaspars. (2022). Internal decay assessment using drilling resistance in mature common alder (Alnus Glutinosa (L.) Gaertn.) Stands. 37. 37-43. 10.22616/rrd.28.2022.005. Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Rinntech-RESISTOGRAPHR-R650-drilling-profile-and-actual-cross-cut-at-corresponding-height_fig2_365822878

Rollo, F. M. de A., Soave Junior, M. A., Viana, S. M., Rollo, L. C. P., Couto, H. T. Z. do ., & Silva Filho, D. F. da .. (2013). Comparação entre leituras de resistógrafo e imagens tomográficas na avaliação interna de troncos de árvores. CERNE, 19(2), 331–337. https://doi.org/10.1590/S0104-77602013000200018